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| ALOIMUNIZAÇÃO Rh

O QUE É?
A isoimunização Rh é uma condição caracterizada pela produção materna de anticorpos contra antígenos presentes nas hemácias fetais. Esses anticorpos atravessam a placenta, entram em contato com o sangue fetal e tem a capacidade de destruir as hemácias fetais. O resultado final é anemia, que pode ser grave em cerca de 10% dos casos e levar a insuficiência cardíaca e edema fetal generalizado.

PORQUE ACONTECE?
A quase totalidade dos casos acontece em mulheres com tipo sanguíneo Rh negativo grávidas de filhos com tipo sanguíneo Rh positivo. Durante a gravidez e principalmente durante o parto há passagem de células do feto para a circulação materna. A mãe Rh negativo reconhece como estranha a hemácia do feto Rh positivo e produz uma substância chamada anticorpo. Numa primeira gestação de um feto Rh positivo, o risco de anemia é muito baixo. Numa segunda gestação de um feto Rh positivo, o risco é maior e é necessário o acompanhamento.

COMO DIAGNOSTICAR?
O diagnóstico é feito através de um exame de sangue chamado teste de Coombs Indireto. Esse teste detecta a presença de um anticorpo no sangue materno, que na maioria dos casos é chamado anti-D. Todas as mães Rh negativo devem fazer esse teste pelo menos duas vezes durante a gravidez e logo após o parto. A partir da detecção deste anticorpo a gravidez precisa ser monitorada e acompanhada em um centro especializado em Medicina Fetal.

COMO PREVENIR?
A prevenção é simples e eficaz e se dá no período pós-parto (até 72 horas) através da administração intra-muscular de uma imunoglobulina ('vacina') na mãe Rh negativo que tenha dado a luz a um bebê Rh positivo e na qual o teste de Cooms Indireto seja negativo.

COMO TRATAR?
Se uma mãe Rh negativo apresentar o teste de Cooms Indireto positivo, deve ser encaminhada a um centro especializado em Medicina Fetal para acompanhamento. Este acompanhamento é feito através de exame ultrassonográfico seriado ao longo da gravidez, chamado dopplervelocimetria, que pode detectar a anemia fetal em quase 100% dos casos. Caso a dopplervelocimetria sugira anemia fetal, é necessária uma cordocentese, que é a coleta de sangue fetal no cordão umbilical através de uma agulha inserida no útero e guiada pela ultrassonografia. É realizado o hemograma e caso haja anemia, é realizada uma transfusão de sangue neste feto para corrigir a anemia. Este procedimento, apesar de complexo, tem salvado a vida de muitas crianças, permitindo que a gravidez chegue próxima dos nove meses e evitando uma situação muito perigosa para a vida do bebê que é o parto prematuro. Além disso, pode reverter as alterações mais graves, como a insuficiência cardíaca e o edema generalizado (situação conhecida como hidropsia, com alta mortalidade) ainda dentro do útero em fetos muito prematuros para nascer.

OBSERVAÇÕES:
Existem mulheres Rh positivo que podem desenvolver isoimunização por outros anticorpos além do anti-D. O teste de Coombs indireto não é obrigatório para todas as mulheres Rh positivo no pré-natal, mas deve ser realizado em todas as que têm antecedente de recém-nascidos com anemia ou icterícia grave ao nascimento por destruição de hemácias. Também deve ser realizado em todas as mulheres que deram a luz ou perderam bebês durante a gravidez com diagnóstico de hidropsia, independente do tipo sanguíneo.